São vários os estudos que se têm debruçado sobre este tema e as conclusões parecem ser semelhantes. Convém refletir que, se por um lado, as pesquisas mostram que jovens com problemas de saúde mental tendem a passar mais tempo online, por outro lado, o aumento do número de horas em ecrãs aumenta a probabilidade de desenvolvimento de problemas de saúde mental, nomeadamente sintomas depressivos e de ansiedade.
Algumas das consequências que podem advir do uso excessivo de redes sociais são: isolamento social, maior distratibilidade, menor capacidade de resolução de problemas, diminuição da curiosidade, menor autocontrolo e maior instabilidade emocional (Twenge & Campbell, 2018). No mundo virtual, em que tudo parece positivo, surgem facilmente comportamentos de comparação social, a procura de ideais inatingíveis ou irrealistas, dificuldades na distinção entre amigos e seguidores ou fenómenos como o “FOMO” (fear of missing out, em inglês, medo de estar a perder algo ou de ficar de fora), mas também surge a necessidade de permanecer online para se sentir conectado, apoiado e valorizado pelos outros. A ativação do sistema de recompensa e o aumento da dopamina acontecem com cada interação virtual, especialmente com interações que valorizem o próprio: likes, aumento de seguidores, partilha de conteúdo e comentários que reforçam positivamente comportamentos e opiniões online. São estes mecanismos que estão por detrás da situação de dependência das redes sociais. Todavia, as interações negativas são também facilmente promovidas online, especialmente o cyberbullying, com a humilhação, ameaça e/ou difamação do outro, a partilha de informação não consentida, a perda de privacidade… É ainda de realçar o fácil acesso a desinformação e a adoção de comportamentos de risco (através de desafios e jogos online, por exemplo). Compreende-se então a atratividade e a complexidade do uso das redes sociais no dia a dia de crianças e jovens. Mas, quanto mais tempo é investido num mundo virtual, menos tempo é investido no mundo real. Esta discrepância promove maior isolamento social, baixa autoestima, solidão, menor desempenho académico, dificuldades ao nível do sono, adoção de comportamentos de risco, desenvolvimento de perturbações mentais, entre outros. Então, o que fazer para diminuir a dependência e o impacto negativo das redes sociais no nosso quotidiano?
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