Entre as nossas orelhas, possuímos uma máquina extremamente complexa chamada cérebro — ou mente, como preferires chamar. Embora nos ajude a antecipar perigos e a planear o futuro, tem também um lado mais desafiante: funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano. Raramente conseguimos estar parados, no vazio do silêncio. A nossa mente encontra sempre algo com que se ocupar ou uma falha para corrigir. Mas será que tem de ser sempre assim? O “Piloto Automático” e a Herança da Savana Esta forma de funcionar tem raízes profundas. O nosso cérebro evoluiu para nos manter vivos, não necessariamente para nos manter conectados com o desenrolar do momento presente. Os nossos antepassados tinham de estar atentos a qualquer som na savana, pois podia ser um leão! Hoje, a maioria de nós já não vive na savana com o perigo iminente de se confrontar com um leão, mas o cérebro continua a procurar “ameaças”. O problema é que, agora, as ameaças são os prazos, as críticas ou as nossas próprias inseguranças. Vivemos num estado de alerta constante que gera ansiedade e sofrimento emocional. Felizmente, podemos aprender a usar o cérebro como a ferramenta útil que ele é, sem ficarmos reféns dele. Para isso, podemos usar a linguagem para distinguir duas formas de agir:
A solução para o ruído mental não é tentar “parar” os pensamentos à força — isso é tão impossível como tentar parar as ondas do mar. A solução passa por acolhê-los e aprender a observá-los como se fossem nuvens a passar no céu: estão lá, nós vemo-los, mas não temos de ir atrás deles. Sentir em vez de Analisar Podemos começar com gestos pequenos: apreciar o calor da água no duche, sentir o vento no rosto enquanto caminhamos ou ouvir verdadeiramente uma música, sem estarmos a pensar no que vamos fazer a seguir ou observando com algum distanciamento a presença desses pensamentos. Notar as sensações físicas do corpo é uma forma poderosa de dar descanso ao intelecto e permitir-nos, simplesmente, existir. Afinal, a vida não é um puzzle que precisa de ser resolvido. É uma sucessão de momentos que pedem abertura, presença e compaixão. Juntos pela saúde mental de todos nós, Gonçalo Matias Santos Referências:
-Hanson, R., & Mendius, R. (2009). Buddha’s Brain: The Practical Neuroscience ofHappiness, Love, and Wisdom. New Harbinger Publications. -Hayes, S. C., Strosahl, K. D., & Wilson, K. G. (1999). Acceptance and Commitment Therapy: An Experiential Approach to Behavior Change. Guilford Press. -Segal, Z. V., Williams, J. M. G., & Teasdale, J. D. (2002). Mindfulness-Based Cognitive Therapy for Depression: A New Approach to Preventing Relapse. Guilford Press. -Tolle, E. (1997). The Power of Now: A Guide to Spiritual Enlightenment. Namaste Publishing. -Williams, M., & Penman, D. (2011). Mindfulness: A Practical Guide to Finding Peace in a Frantic World. Piatkus. Comments are closed.
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