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Diagnóstico de PHDA na Vida Adulta: Desafios e Estratégias

1/8/2024

 
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Muitos indivíduos com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) chegam à idade adulta sem um diagnóstico, o que pode ter implicações significativas na qualidade de vida e na saúde mental, sendo frequente apresentarem comorbilidades como ansiedade e depressão
A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma condição do neurodesenvolvimento multifatorial e heterogénea, resultante de fatores genéticos e ambientais, que afeta entre 5% a 7% das crianças e adolescentes em todo o mundo. Cerca de metade dos indivíduos diagnosticados na infância continua a preencher os critérios diagnósticos na idade adulta.

Muitos indivíduos com PHDA chegam à idade adulta sem um diagnóstico, o que pode ter implicações significativas na qualidade de vida e na saúde mental, sendo frequente apresentarem comorbilidades como ansiedade e depressão. A apresentação clínica da PHDA tende a mudar ao longo da vida: na infância, a hiperatividade é mais comum, enquanto na idade adulta a desatenção e a impulsividade tornam-se mais proeminentes, manifestando-se em comportamentos como compras compulsivas, ingestão alimentar descontrolada, consumo de substâncias, maior propensão para acidentes e comportamentos desviantes.

A adaptação ao ambiente e as exigências académicas e laborais influenciam a expressão sintomática ao longo da vida, resultando numa apresentação clínica flutuante, condicionada pelo equilíbrio entre a
pressão do meio envolvente e as estratégias de adaptação do indivíduo.

Os principais desafios no diagnóstico da PHDA em adultos incluem a sobreposição dos sintomas com outras perturbações psiquiátricas e o desenvolvimento de estratégias adaptativas que mascaram os sintomas clássicos da infância. A perceção errada de que a PHDA é uma condição que afeta apenas crianças pode levar os adultos a enfrentar ceticismo por parte dos profissionais de saúde e do seu círculo social. Além disso, a escassez de profissionais treinados especificamente para diagnosticar e tratar a PHDA em adultos pode atrasar ou complicar o processo de diagnóstico.

Apesar destes desafios, uma avaliação completa da história clínica do indivíduo, incluindo sintomas na infância e comportamento em diferentes contextos ao longo do tempo (desempenho escolar, histórico laboral e relações interpessoais), é de grande utilidade. Podem ser utilizadas entrevistas clínicas estruturadas ou semiestruturadas que seguem critérios diagnósticos padronizados, bem como escalas de avaliação específicas para a PHDA em adultos que ajudam a quantificar a gravidade dos sintomas.

O diagnóstico pode ser apoiado por informação colateral fornecida por familiares, amigos, professores ou colegas de trabalho, que oferecem uma perspetiva externa sobre os sintomas e comportamentos do indivíduo. Uma avaliação neuropsicológica pode ser útil para avaliar funções cognitivas específicas, como atenção, memória e funções executivas, permitindo a identificação de padrões de défice cognitivo associados à PHDA. Também é importante investigar antecedentes familiares de PHDA ou outras perturbações psiquiátricas, dado o componente genético significativo da condição, e observar diretamente o comportamento do indivíduo em diferentes situações, se possível.

É ainda crucial excluir outras condições médicas ou psiquiátricas que possam imitar os sintomas da PHDA, como ansiedade, depressão, perturbações do sono ou problemas de abuso de substâncias.

O diagnóstico de PHDA na vida adulta apresenta desafios únicos, mas com estratégias adequadas, é possível superar essas barreiras. O envolvimento de uma equipa multidisciplinar, a utilização de ferramentas de avaliação apropriadas e a educação contínua são essenciais para um diagnóstico eficaz.

Reconhecer e tratar a PHDA em adultos não só melhora a qualidade de vida dos indivíduos afetados, mas também contribui para uma sociedade mais compreensiva e inclusiva.

Ver também:
​-Sinais de alerta: será que os consigo identificar quando não é comigo?

Juntos pela Saúde Mental de Todos Nós
ManifestaMente, Ana Borges


Referências:
- American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5th ed., text rev.). American Psychiatric Association. https://doi.org/10.1176/appi.books.9780890425787
- Asherson, P., & Agnew-Blais, J. (2019). Live fast, die young? A review on the developmental trajectories of ADHD across the lifespan. European Neuropsychopharmacology, 29(8), 1059-1088. https://doi.org/10.1016/j.euroneuro.2019.06.008
- Faraone, S. V., Asherson, P., Banaschewski, T., Biederman, J., Buitelaar, J. K., Ramos- Quiroga, J. A., ... & Franke, B. (2015). Attention-deficit/hyperactivity disorder. Nature Reviews Disease Primers, 1, 15020. https://doi.org/10.1038/nrdp.2015.20
- Faraone, S. V., Biederman, J., Mick, E., Williamson, D. J., Wilens, T. E., Spencer, T. J., ... & Glatt, S. J. (2021). The World Federation of ADHD International Consensus Statement: 208 Evidence-based conclusions about the disorder. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 128, 789-818. https://doi.org/10.1016/j.neubiorev.2021.09.012
- Kasper, L. J., Alderson, R. M., & Hudec, K. L. (2012). The neurocognitive profile of attention- deficit/hyperactivity disorder: A review of meta-analyses. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 36(6), 1681-1704. https://doi.org/10.1016/j.neubiorev.2012.02.003
- Kooij, J. J. S., Bijlenga, D., Salerno, L., Jaeschke, R., Bitter, I., Balázs, J., ... & Asherson, P. (2019). European consensus statement on diagnosis and treatment of adult ADHD: The European Network Adult ADHD. BMC Psychiatry, 19(1), 1-106. https://doi.org/10.1186/s12888-018-1983-1
- Thapar, A., & Cooper, M. (2023). Annual Research Review: A neurodevelopmental perspective on the comorbidity between ADHD and other neurodevelopmental disorders. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 64(3), 312-340. https://doi.org/10.1111/jcpp.13667

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