Enquanto a tristeza e o choro são socialmente mais aceites nas mulheres, nos homens a depressão tende a surgir mascarada. Irritabilidade, isolamento, consumo de álcool, comportamentos de risco ou dedicação excessiva ao trabalho podem ser formas de expressar o que não se consegue pôr por palavras. O corpo fala quando a alma se cala.
O resultado desse silêncio é preocupante. Em Portugal e em grande parte do mundo, os homens continuam a morrer mais por suicídio do que as mulheres. Não necessariamente porque sofrem mais, mas porque procuram menos ajuda. A vergonha, o medo do julgamento e a pressão para manter uma aparência de controlo acabam por adiar o diagnóstico e o tratamento. Mas a depressão não tem género e também não é um sinal de fraqueza. É uma doença que pode afetar qualquer pessoa, independentemente da força física, do estatuto sócio-económico ou da idade. Reconhecer isso é o primeiro passo para quebrar o estigma. Falar sobre o que se sente, procurar apoio médico ou psicológico e aceitar que pedir ajuda é um ato de coragem, não de rendição, são gestos que salvam vidas. Também é importante que, como sociedade, deixemos de ensinar os rapazes a reprimir as emoções. Mostrar vulnerabilidade é humano e partilhar o que se sente é um exercício de maturidade emocional. Criar espaços seguros, onde os homens possam expressar o que sentem, seja no trabalho, entre amigos ou na família, é essencial para prevenir o sofrimento em silêncio. Se te revês nestas palavras ou conheces alguém que possa estar a passar por algo semelhante, não ignores os sinais. Falar com um profissional pode fazer toda a diferença. Existem linhas de apoio e equipas especializadas, que escutam sem julgar e orientam com respeito. Porque todos nós, em algum momento, precisamos de alguém que nos ajude a reencontrar o caminho. A saúde mental é de todas as pessoas, e cuidar dela é também um gesto de amor, por nós e por quem nos rodeia. Que possamos, juntos, transformar o silêncio em voz e a força em empatia. Linhas de apoio e prevenção do suicídio:
Juntos pela saúde mental de todos nós, Rúben Baptista Referências -Carolina, A. dos S., & Gulin, L. (2022). Saúde mental masculina: Um estudo sobre a procura por auxílio profissional. PsicoFAE, 11(2), 52–67. https://doi.org/10.55388/psicofae.v11n2.397 -Silva, P., Barros, O., & Oliveira, G. S. (2024). Adoecimento mental na população masculina: Prevalência e fatores associados – Revisão integrativa da literatura. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, 10(9), 1633–1641. https://doi.org/10.51891/rease.v10i9.15509 -Justo, L. P., & Calil, H. M. (2006). Depressão: O mesmo acometimento para homens e mulheres? Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo), 33(2), 74–79. https://doi.org/10.1590/s0101-60832006000200007 -Windmöller, N. (2016). Construção das masculinidades em depressão: Revisão de literatura e análise de casos [Dissertação de mestrado, Universidade de Brasília]. Repositório da Universidade de Brasília Comments are closed.
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