Começar gradualmente
Depois de semanas com horários mais flexíveis, podemos aproximar aos poucos a hora de deitar e de acordar dos horários escolares. Também podemos recuperar ritmos mais regulares para as refeições, o estudo, o lazer e o descanso. Não é necessário mudar tudo de uma vez. Cuidar do sono O sono ajuda-nos a estar atentos, aprender e regular as emoções. As recomendações internacionais indicam, em geral, 10–13 horas por dia para crianças dos 3 aos 5 anos, 9–12 horas dos 6 aos 12 anos e 8–10 horas dos 13 aos 18 anos. [1] Sabemos também que a qualidade e a duração do sono estão relacionadas com o desempenho escolar, embora esta relação seja complexa e não permita concluir que o sono, por si só, determina os resultados escolares. [2] Conversar sobre o regresso Voltar à escola pode gerar algumas questões, tais como: Como será a turma? Vou gostar dos professores? Vou conseguir adaptar-me? Podemos conversar sobre estas dúvidas sem as transformar num problema. Perguntas simples como: “Há alguma coisa que te entusiasme no regresso?” podem ser tão importantes como perguntar pelo que preocupa. E, quando existe preocupação, podemos responder: “Percebo que estejas nervoso(a). Vamos pensar no que pode ajudar.” Dar espaço à autonomia Preparar a mochila, organizar os materiais, participar na preparação do espaço de estudo ou ajudar a planear a semana são pequenas oportunidades para a criança assumir um papel ativo. Para os mais velhos, o planeamento pode incluir estudo, atividades, exercício, família, amigos e tempo livre. Uma rotina previsível não precisa de ser rígida: deve dar estrutura sem retirar espaço para descansar e viver. [3] Aceitar que a adaptação leva tempo Uma manhã difícil, algum nervosismo ou uma adaptação mais lenta não significam que algo esteja a correr mal. As transições escolares podem ser exigentes, mas também podem trazer novas relações, aprendizagens e oportunidades de desenvolvimento. [4] Se houver recusa persistente da escola, ansiedade intensa ou dificuldades que interfiram de forma significativa com o sono, a vida familiar ou a frequência escolar, é importante procurar compreender o que está a acontecer e, se necessário, pedir ajuda. [5] Um novo ano, passo a passo Não precisamos de preparar uma criança para nunca sentir preocupação. Podemos ajudá-la a descobrir que consegue adaptar-se, pedir ajuda quando precisa e aprender com novas experiências. Talvez seja essa a melhor forma de olhar para o regresso às aulas: não como o fim da liberdade das férias, mas como o início de uma nova etapa, com desafios, relações, aprendizagens e muitas oportunidades para crescer! Juntos pela saúde mental de todos nós, José António Pereira Referências: 1. Paruthi, S., Brooks, L. J., D’Ambrosio, C., Hall, W. A., Kotagal, S., Lloyd, R. M., Malow, B. A., Maski, K., Nichols, C., Quan, S. F., Rosen, C. L., Troester, M. M., & Wise, M. S. (2016). Recommended amount of sleep for pediatric populations: A consensus recommendation of the American Academy of Sleep Medicine. Journal of Clinical Sleep Medicine, 12(6), 785–786. Aceder ao artigo (PubMed) 2. Dewald, J. F., Meijer, A. M., Oort, F. J., Kerkhof, G. A., & Bögels, S. M. (2010). The influence of sleep quality, sleep duration and sleepiness on school performance in children and adolescents: A meta-analytic review. Sleep Medicine Reviews, 14(3), 179–189. Aceder ao artigo (PubMed) 3. Mindell, J. A., & Williamson, A. A. (2018). Benefits of a bedtime routine in young children: Sleep, development, and beyond. Sleep Medicine Reviews, 40, 93–108. Aceder ao artigo (PubMed) 4. Donaldson, C., Moore, G., & Hawkins, J. (2023). A systematic review of school transition interventions to improve mental health and wellbeing outcomes in children and young people. School Mental Health, 15, 19–35. Aceder ao artigo (Springer) 5. Tekin, I., & Aydın, S. (2022). School refusal and anxiety among children and adolescents: A systematic scoping review. New Directions for Child and Adolescent Development, 2022(185–186), 43–65. Aceder ao artigo (Wiley) Os comentários estão fechados.
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