Em primeiro lugar, é necessário distinguir dois conceitos dentro da concetualização de pessoa em situação de sem-abrigo: sem teto ou sem casa. Considera-se a situação de “sem teto”, se uma pessoa se encontrar a viver em espaços de caráter público ou se estiver a viver num abrigo de emergência ou em locais com condições precárias. É reconhecida a situação de “sem casa", se uma pessoa se encontrar em alojamento temporário.
De acordo com os dados da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-abrigo (ENIPSSA 2017-2023), atualizados a 31 de dezembro de 2021, existiam 9604 pessoas em situação de sem-abrigo, verificando-se um aumento de 16% em relação a anos anteriores, com uma maior concentração nas zonas metropolitanas de Lisboa e do Porto. Além disso, os estudos remetem para um maior sofrimento psicológico e problemáticas associadas nesta população. Os sentimentos de vergonha, fracasso e receio da mudança acompanham, frequentemente, este grupo e é aqui que entra a necessidade de apoio por parte dos serviços de saúde a este nível, com articulação entre as várias estruturas. No entanto, não podemos encarar as questões de saúde sozinhas, uma vez que estas se encontram intimamente ligadas à dimensão social. Assim sendo, existem fatores de risco, quer individuais quer estruturais, que parecem estar associados à situação de sem-abrigo. Possíveis fatores de risco:
Principais dificuldades enfrentadas pela pessoa em situação de sem-abrigo:
Perante este cenário, é importante reforçar os recursos que existem no combate a estas dificuldades. Estes recursos englobam as vertentes de prevenção, reinserção e reabilitação e podem surgir na forma de programas comunitários, como o Housing First, que proporcionam habitação própria a pessoas em situação de sem-abrigo, facilitando, posteriormente, o acesso aos restantes recursos, como o acompanhamento psicológico e social. Exemplos de implementação de programas Housing First em Portugal:
Este modelo tem demonstrado uma elevada taxa de sucesso, proporcionando uma melhor qualidade de vida, bem-estar psicológico e acessibilidade aos recursos. É comum estas pessoas sentirem que lhes foi “retirado o tapete de debaixo dos pés”. Muitas vezes, a perda de autoconfiança, funcionalidade e autonomia pode fazê-las sentir-se sem escolha. É fundamental que exista um investimento contínuo nos recursos e programas que tenham isto – a necessidade de um apoio holístico para a pessoa em situação de sem-abrigo – em consideração, promovendo o combate à situação de sem-abrigo. Juntos pela saúde mental de todos nós, Beatriz Nunes Referências: - Conselho de Ministros. (2017). Resolução do Conselho de Ministros n.º 107/2017:Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo 2017-2023. Diário da República. - Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo. (2017). Conceito de pessoa em situação de sem-abrigo. ENIPSSA. - Grupo de Trabalho para a Monitorização e Avaliação da ENIPSSA. (2022). Inquérito de caracterização das pessoas em situação de sem-abrigo: Síntese de resultados – 31 de dezembro de 2021.ENIPSSA. - Jorge, P. (2022). Determinantes do adoecimento mental na população sem-abrigo. Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, 38(5), 488-95. Comments are closed.
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