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Pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgénero, queer e de outras identidades, frequentemente identificadas pela sigla LGBTQ+, têm duas a três vezes mais probabilidade de desenvolver depressão ou ansiedade do que a população em geral. Não porque haja algo de errado em ser quem são, mas porque crescer num ambiente que, direta ou indiretamente, nos comunica que aí não pertencemos tem um custo real para a saúde mental. Os investigadores chamam a isto Modelo do Stress Minoritário: o desgaste crónico de viver com a pressão de esconder uma parte de nós mesmos, de antecipar rejeição, de navegar comentários e comportamentos discriminatórios subtis ou evidentes. O processo de descoberta da própria identidade, tanto para nós como para quem nos rodeia, pode ser uma fonte de grande alívio. Mas, quando acontece num ambiente de silêncio ou rejeição, pode também ser um dos períodos mais vulneráveis da nossa vida. No entanto, a investigação mostra-nos algo igualmente importante: aquilo que nos protege. Ter pelo menos uma pessoa do nosso lado – um amigo, um familiar, um colega – reduz significativamente o risco de depressão e de comportamentos autodestrutivos em jovens LGBTQ+. Sentirmo-nos parte de uma comunidade que nos compreende, seja presencialmente ou online, é um fator protetor reconhecido. E ter acesso a profissionais de saúde que tratam a nossa identidade com respeito e normalidade cria a segurança de que precisamos para pedir ajuda quando mais necessitamos. É também importante reconhecer que a comunidade LGBTQ+ é profundamente diversa. Cada pessoa traz consigo uma história única, moldada não apenas pela sua orientação sexual ou identidade de género, mas também pela sua cultura, origem, geração e contexto familiar. Essa forma como múltiplas identidades se cruzam e interagem pode amplificar vulnerabilidades, mas pode igualmente ser fonte de uma resiliência extraordinária. Muitas pessoas que viveram processos de autodescoberta difíceis descrevem, com o tempo, uma capacidade renovada de empatia, autenticidade e conexão com os outros. A dificuldade percorrida pode transformar-se em força, especialmente quando existe apoio no caminho. A saúde mental não existe separada de quem somos. A forma como vivemos a nossa identidade, a nossa sexualidade e os nossos relacionamentos faz parte do nosso bem-estar e merece ser tratada com o mesmo cuidado e seriedade que qualquer outra dimensão da saúde. Se te revês nestas palavras, ou se acompanhas alguém que possa estar a passar por um momento difícil relacionado com a sua identidade ou sexualidade, sabe que não estás sozinho. Pedir ajuda é um ato de coragem. E há pessoas preparadas para ouvir, sem julgamento.
Juntos pela Saúde Mental de todos nós,
ManifestaMente, Joana Franco Referências: -Rodrigues, Carolina; Marguilho, Miriam; Ferreira, Barbara; Nascimento, Sandra; Nascimento, Miguel; Cardoso, Sónia; Silva, Mariana; Pablo, Ana; Soares, Catarina; Fernandes, Carlos; Gonçalves, Marco. (2024). Gender Dysphoria: Concepts, Diagnosis and Clinical Management. Acta Médica Portuguesa. 37. 379-385.10.20344/amp.21057. -Meyer, I. H. (1995). Minority stress and mental health in gay men. Journal of Health and Social Behavior, 36(1), 38–56. https://doi.org/10.2307/2137286 -Nadal, K. L., Whitman, C. N., Davis, L. S., Erazo, T.,; Davidoff, K. C. (2016).Microaggressions toward lesbian, gay, bisexual, transgender, queer, and genderqueer people: A review of the literature. Journal of Sex Research, 53(4–5), 488–508. https://doi.org/10.1080/00224499.2016.1142495 -Stephen T. Russell, Jessica N. Fish. 2016. Mental Health in Lesbian, Gay, Bisexual, and Transgender (LGBT) Youth. Annual Review Clinical Psychology. 12:465- 487. https://doi.org/10.1146/annurev-clinpsy-021815-093153 Comments are closed.
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