É importante definir primeiro o que é o luto. Segundo a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), o luto é uma reação natural de adaptação a uma situação de perda – por exemplo, morte de uma pessoa próxima, morte de um animal de estimação, término de uma relação, perda de emprego, diagnóstico de uma doença grave, entre outras.
Sabemos, então, que o luto se aplica a qualquer perda que implique um ajuste a uma nova realidade. Se o sofrimento provocado por esta perda persistir, de forma intensa e com elevado impacto no dia-a-dia, durante mais de 12 meses nos adultos e 6 meses nas crianças e adolescentes, podemos estar perante um problema de saúde mental que carece de ajuda profissional, como é o caso da perturbação do luto prolongado. O luto é vivido de forma muito individual e única, com tempos e ritmos diferentes para cada um, podendo manifestar-se de formas distintas. É um processo que leva tempo, sendo essencial respeitá-lo com todas as suas possíveis fases. Elizabeth Kübler-Ross e David Kessler criaram um modelo que nomeia as cinco fases do luto: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. A negação é, muitas vezes, o choque inicial. Como o nome indica, negamo-nos a acreditar na perda que sofremos. A fase da raiva refere-se ao momento em que nos sentimos injustiçados e queremos encontrar um culpado pelo nosso sofrimento. Na negociação tentamos controlar ou reverter a situação que motiva o luto, focando-nos num futuro hipotético em vez de nos confrontarmos com a realidade atual – “e se eu tentasse…?”.Na depressão, tomamos consciência da perda e sentimo-nos profundamente tristes, o que, em alguns casos, pode levar ao isolamento social. Por último, temos a aceitação, momento em que damos início à adaptação à nova realidade após a perda sofrida, aceitando-a. É importante referir que estas fases do luto não são lineares, ou seja, não seguem sempre esta ordem, nem são todas obrigatórias – o modelo funciona mais como referência para caracterizar as respostas emocionais da maioria das pessoas nestes contextos. De referir que existem reações que são comuns à maioria dos processos de luto. São processos dolorosos, com emoções fortes que podem variar na sua expressão e intensidade, em que podem surgir pensamentos contraditórios, como se se travasse uma luta entre o racional e o emocional, e mudanças no comportamento habitual. A perda de um animal de estimação causa dor e sofrimento, a nossa vida e rotinas mudam, fica uma cama/espaço vazio em casa, arrumam-se os potinhos da comida e os brinquedos… Perdemos uma parte de nós, em que a dor e a saudade teimam em aparecer do nada, até perante as mais pequenas coisas do nosso dia a dia. Para concluir, importa dizer que devemos respeitar o tempo de luto de cada um, assim como a forma em que é expresso e vivido. Sofremos uma perda dolorosa e passa a existir um antes e um depois do nosso animal de estimação, sendo este um processo que não pode nem deve ser apressado. Este artigo é dedicado ao meu cão Balú, à minha gatinha Ariel e a todos os nossos animais de estimação que partiram, mas que serão sempre amados e nunca esquecidos. Juntos pela Saúde Mental de Todos Nós ManifestaMente, Andrea Hernández Referências: -American Psychiatric Association (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR). - Kübler-Ross, E., & Kessler, D. (2014). On grief and grieving: Finding the meaning of grief through the five stages of loss. - Ordem dos Psicólogos Portugueses (2025). Vamos falar sobre luto. Os comentários estão fechados.
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