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Importa ainda distinguir os conceitos de isolamento social e solidão. Embora muitas vezes sejam utilizados como sinónimos, representam realidades diferentes. No isolamento social, existe uma ausência ou redução significativa do contacto com outras pessoas. Já na solidão, o contacto social pode existir, mas a pessoa continua a sentir-se só, desconectada ou sem um verdadeiro sentimento de pertença.
Embora a solidão seja frequentemente associada aos adultos e aos idosos, este sentimento também pode estar presente nas populações mais jovens. Mas, então, quais os fatores que contribuem para os jovens se sentirem mais sozinhos? São múltiplos. São exemplos os seguintes: uso excessivo das redes sociais, pressão por validação e transições de vida complexas. A hiperconexão digital é um dos fatores mais visíveis. Os jovens, atualmente, vivem na era digital, que traz inúmeras contribuições positivas, mas também alguns desafios. Um exemplo prático é a possibilidade de manterem contacto com os amigos fora do contexto escolar. No entanto, o que acontece quando um jovem não pertence a nenhum grupo de pares, não identifica ninguém à sua volta como um verdadeiro amigo, receia não corresponder às expectativas dos outros ou valoriza mais o contacto digital do que o presencial? Nestes casos, podem surgir sentimentos de solidão, mesmo quando existe contacto frequente com outras pessoas, presencialmente ou através das redes sociais. As transições de vida também podem contribuir para a solidão dos jovens, especialmente quando envolvem rompimentos de amizades, mudanças de escola ou mudanças de residência. Os jovens podem sentir dificuldade em construir novas amizades. Outro fator que pode contribuir para a solidão nos jovens é o processo de construção da identidade. A adolescência e a juventude são períodos marcados pela descoberta de si próprio. Quando um jovem ainda não compreende quem é, quais são os seus valores ou onde se sente verdadeiramente integrado, pode encontrar mais dificuldades em estabelecer relações significativas e identificar-se com os outros. A solidão é um sentimento legítimo, tal como a felicidade, a tristeza ou a raiva. Os jovens têm o direito de a sentir e de a expressar. O aparente aumento deste sentimento poderá estar relacionado não apenas com mudanças sociais, mas também com uma maior sensibilização para as questões da saúde mental e das competências socioemocionais. Gradualmente, os jovens tornam-se mais capazes de identificar e nomear as suas emoções. Quando percebem que não se sentem integrados em determinados contextos sociais, podem reconhecer mais facilmente o sentimento de solidão. A solidão nos jovens é, portanto, uma realidade que pode existir mesmo quando estão rodeados de pessoas e pode ter um impacto negativo no bem-estar emocional. Por isso, é fundamental que familiares, amigos, professores e outros adultos de referência reconheçam e validem este sentimento, criando espaços seguros de escuta, compreensão e apoio. Sentirmo-nos sozinhos é uma experiência humana, mas nenhum jovem deve sentir que tem de enfrentar essa solidão sozinho. Ver também: Onde podem os jovens procurar ajuda? Kit Básico de Saúde Mental para Jovens Juntos pela Saúde Mental de todos nós, ManifestaMente, Beatriz Gomes Referências: -RTP Notícias. (2026, fevereiro 10). Jovens hiperconectados: mais sozinhos do que nunca? https://www.rtp.pt/noticias/mundo/jovens-hiperconectados-mais-sozinhos-do-que-nunca_n1717815 -Serviço Nacional de Saúde. (n.d.). A solidão e o isolamento social. https://www.sns24.gov.pt/pt/tema/prevencao-e-cuidados-de-saude/a-solidao-e-o-isolamento-social Comments are closed.
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