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Cuidar de alguém com um problema de saúde mental

Podemos estar a cuidar de alguém com um problema de saúde física, de saúde mental, ou ambos. No caso da saúde mental, surgem frequentemente desafios específicos ou adicionais.
​
Aqui reunimos alguns desses desafios, acompanhados de sugestões que têm ajudado outros cuidadores.

Pensamentos e preocupações comuns em cuidadores

Ao cuidar de alguém, pode surgir um conjunto de pensamentos e sentimentos difíceis.

Podemos pensar que:
  • Não nos vemos verdadeiramente como cuidadores;
  • Não ajudamos assim tanto;
  • Não compreendemos o que a outra pessoa está a viver.

Podemos sentir‑nos:
  • Preocupados/as por estarmos a fazer algo errado;
  • Ansiosos/as quanto à segurança da pessoa;
  • Receosos/as em relação ao que os outros pensam.

Podemos enfrentar desafios como:
  • Mudanças na relação;
  • Recusa de ajuda;;
  • Afastamento;
  • Comentários que magoam;
  • Dificuldade em aceder ao apoio adequado.

Cuidar de alguém com um problema de saúde mental é algo exigente. A invisibilidade da doença pode fazer-nos sentir que não somos “verdadeiros” cuidadores. Mas somos. E este papel faz uma enorme diferença na vida da pessoa.

​“Não me vejo como cuidador/a”

Mesmo que não realizemos tarefas físicas de cuidado, podemos estar a apoiar de muitas outras formas, como:
  • Oferecer apoio emocional;
  • Ajudar na gestão do dia a dia;
  • Estar presente em momentos difíceis;
  • Defender os direitos da pessoa;
  • Incentivar a procura de ajuda;
  • Fazer chamadas ou tratar de burocracias;
  • Reforçar a confiança na tomada de decisões;
  • Acompanhar aos tratamentos.

​Por vezes, alguns familiares ou amigos também não reconhecem este papel. Partilhar informação como esta pode ajudar a tornarmos o nosso contributo mais visível.

​​“Sinto que não ajudo o suficiente”

É comum sentir frustração por não conseguirmos fazer a outra pessoa sentir‑se melhor. Tal como acontece em caso de doença física, ninguém consegue impedir que outra pessoa desenvolva um problema de saúde mental.
​
É provável que estejamos a ajudar mais do que imaginamos. Se for possível, podemos conversar com a pessoa sobre o que já fazemos e sobre o que está ao nosso alcance. Reconhecer limites e aceitar o que não podemos controlar pode reduzir sentimentos de impotência

​“Não compreendo o que a pessoa está a viver”

Se nunca tivemos um problema de saúde mental, pode ser difícil compreendermos plenamente o que se está a passar com a outra pessoa. Podemos e devemos incentivá-la a explicar o que sente e pensa, sabendo que nem sempre é fácil transmitir estes sentimentos por palavras.
​
Aprender mais sobre problemas de saúde mental e ouvir testemunhos de outras pessoas pode ajudar-nos a compreender melhor o que está a acontecer e como apoiar a pessoa.

​Medo de estar a fazer algo errado

Nem sempre é claro que apoio oferecer ou o que é mais útil. Podemos recear que a pessoa se torne dependente ou que as nossas ações não ajudem a longo prazo.

Algumas pessoas têm dificuldade em perceber quando o seu estado emocional muda e em transmitir isso aos outros. Com o tempo, podemos aprender a reconhecer sinais através do comportamento e da expressão da pessoa.

Alguns cuidadores criam formas simples de comunicação, como usar cores para indicar necessidades:
  • Azul: gosto de ti, mas preciso de estar sozinho/a
  • Amarelo: não consigo falar, mas preciso de companhia
  • Vermelho: sinto‑me irritado/a, mas não é por tua causa
  • Preto: hoje, sinto‑me vulnerável

​Quando alguém não está bem, dizer “estou amarelo” pode ser mais fácil do que explicar o que está a sentir.

​Preocupação com a segurança

É natural preocuparmo-nos com a possibilidade de a pessoa se magoar a si própria ou a outros. Estas preocupações são emocionalmente desgastantes.
​
Cuidar de nós é essencial. Seguir estratégias de autocuidado e procurar apoio são passos que  contribuem para manter o equilíbrio emocional necessário para continuar a apoiar.

​O julgamento dos outros

O estigma  em relação à saúde mental ainda existe e pode ser doloroso, especialmente quando vem de pessoas próximas ou de profissionais de saúde.

Algumas estratégias possíveis para combater a desinformação:
  • Partilhar a nossa experiência, quando nos sentirmos preparados/as;
  • Participar em iniciativas de sensibilização;
  • Partilhar informação fidedigna sobre saúde mental.

​A relação está a mudar

Problemas de saúde mental podem alterar emoções, comportamentos e dinâmicas das relações. Podemos sentir que a pessoa de quem cuidamos mudou ou que a relação se tornou desequilibrada.
​
Pode ajudar encarar o problema de saúde mental como algo que não pertence realmente à pessoa, um desafio a enfrentar em conjunto, em vez de algo que define a pessoa ou a relação.

​Quando a pessoa não aceita ajuda

Pode ser frustrante e angustiante quando alguém precisa de apoio mas não o aceita. Em alguns casos, identificar sinais precoces de agravamento e combinar previamente a forma de agir nessas situações poderá ser útil.

Voltamos a realçar que é importante reconhecer que existem limites para o apoio que podemos oferecer. Não temos de fazer tudo sozinhos.

​Quando a pessoa se afasta ou nos magoa

Durante períodos de maior sofrimento, a pessoa pode dizer ou fazer coisas dolorosas para nós. Isso não significa que não se importa connosco.
​
Devemos procurar:
  • Lembrar-nos de que o comportamento está ligado ao sofrimento;
  • Fazer pausas quando necessário;
  • Procurar apoio junto de amigos, família ou outros cuidadores.

A nossa saúde mental também importa. Saber colocar  limites é um ato de cuidado.
​​Este texto é uma adaptação e tradução livre de conteúdos da organização britânica Mind, realizadas pela ManifestaMente para fins de literacia em saúde mental. Revisto a 2026-01-15
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